Em várias cestas 

Há uma lição de finanças pessoais que diz: “nunca coloque todos os ovos na mesma cesta”. Vamos entender: a frase significa que você nunca deve depositar todo o seu dinheiro em um só tipo de investimento.

Quando estourou a bolha imobiliária dos Estados Unidos, em 2008, gerando uma crise financeira global, as bolsas de valores do mundo todo foram ao chão. Os papéis de todas as grandes e sólidas empresas se desvalorizaram – consequência da falta de confiança dos investidores. Quem, na época (só para relembrar, setembro de 2008, após o banco Lehman Brothers quebrar), tinha todo o seu dinheiro investido em ações viu seu patrimônio sumir.

coinsinvest

Já pensou no desespero de ver o dinheiro de anos e anos, o qual seria usado para ter uma aposentadoria mais tranquila, desaparecer do dia para a noite? É por isso que não dá para ficar “vendido”, apostar todas as fichas em um só investimento. Ainda mais se tratando de renda variável, como o mercado de ações. Por outro lado, se você colocar todo o dinheiro em aplicações de renda fixa – os quais, geralmente, são mais conservadores e rendem menos – estará perdendo o chamado custo de oportunidade. Quanto você estaria ganhando se aquele dinheiro estivesse em outra aplicação com rendimento maior? Deixando no investimento conservador, pode até ser que sua grana estará mais garantida, mas ela vai crescer muito mais lentamente.

Logo, você deve ter concluído que o melhor é diversificar. Se uma cesta quebrar (se uma crise estourar, a empresa da qual você tem ações falir, o imóvel que você comprou se desvalorizar ou mil outras coisas que podem acontecer), você tem seu dinheiro espalhado em várias outras cestinhas. Seu patrimônio não vai sumir de uma hora para outra se você aprender a diversificar.

Postado por Evelin às 09:39 | 12/01/2010 | Nenhum comentário

 Análise técnica versus fundamentalista 

Um dos primeiros passos para alguém que quer começar a investir em ações é definir sua estratégia. Assim como há diferentes tipos de investidores – os agressivos, os moderados e os conservadores – há vários métodos entre os quais você pode optar para montar sua carteira de ações.

Os dois métodos mais conhecidos – e talvez os principais que você deve observar logo no início – são a análise técnica e a análise fundamentalista. O analista técnico é o homem dos gráficos. A compra e a venda de ações variam conforme a subida e descida do valor dos papéis. O “trader”, como é chamado, geralmente fica o dia inteiro olhando para aqueles gráficos, que aparecem no sistema chamado “home broker”, além de ficar super atento a qualquer notícia que apareça relacionada às empresas com capital aberto, bem como às notícias do setor daquelas companhias que compõem sua carteira. Enfim, geralmente ele faz seu dinheiro de pouco em pouco, ganhando nos pequenos lucros obtidos por ter comprado as ações quando estavam mais baratas e vendidas quando estavam mais caras. Ele pode comprar e vender sempre no mesmo dia, se preocupando com as variações de preço que ocorrem a cada minuto. Mas podem também comprar hoje e vender em uma semana. Na maioria das vezes, o tempo é meio curto.

stockexchange

Já quem faz a análise fundamentalista se preocupa um pouco menos com as pequenas mudanças de preço dos papéis ao longo do dia. Os analistas estudam os fundamentos da companhia, a solidez dos resultados dela, o quanto seu lucro vem crescendo nos últimos anos, quais são as perspectivas para aquele setor, como estão indo os concorrentes dela no mercado – uma infinidade de aspectos, muito observados pelos “researchers”. A análise fundamentalista é mais recomendada para quem quer investir no longo prazo. Por quê?Porque você não quer comprar ações para guardar por quinze anos de uma companhia que vem tendo sucessivos prejuízos, vem perdendo mercado para seus concorrentes ano a ano e está em um setor completamente saturado, né?

A tendência de todas as bolsas do mundo é sempre de alta, apesar das oscilações e crises. Logo, ao investir no longo prazo, a probabilidade de obter lucros é grande. Porém, é preciso escolher bem em quais empresas apostar. Ah, e acompanhá-las de vez em quando, claro, embora possa ser com menor frequência que o analista técnico.

Nenhuma das estratégias é ciência exata. Ambas têm suas vantagens e erros. A análise fundamentalista também precisa um pouquinho da técnica. Um dia você resolve comprar ações para sua aposentadoria e precisa saber se, naquela semana, as ações estão baratas ou seria melhor esperar para comprar semana que vem. Já a análise técnica exige um pouco mais de dedicação diária, mas tem a vantagem de você poder desfrutar dos lucros em menos tempo. Além disso, dá para aprender mais rápido e há menos aspectos para se preocupar. Seja qual for a estratégia que você escolher, cursos, livros e muita pesquisa são passos essenciais para você se dar bem.

Postado por Evelin às 10:49 | 11/01/2010 | Nenhum comentário

 Investir em imóvel é mesmo seguro? 

A sabedoria popular ensina que, para garantir que o dinheiro esteja bem aplicado e seguro, nada melhor que comprar um imóvel. Você já ouviu esse conselho alguma vez? Comprar a casa própria, sem dúvida, é um ótimo investimento. Nada como morar no que é seu. Especialmente quando a compra é feita de maneira consciente, com uma boa grana de entrada, parcelamentos com juros baixos, aproveitando de todos os benefícios possíveis, como uso do FGTS e amortização das parcelas etc. O problema é o segundo imóvel.

Você já tem sua casa e possui um dinheiro para investir. Resolve comprar uma casa nova, seja para alugar, revender ou apenas para não ficar com o “dinheiro na mão”. Afinal, dinheiro na mão é vendaval… Daí, você leva um tempo para conseguir inquilinos e, enquanto isso, arca com as despesas do condomínio e todas as outras contas. É importante estar sempre preparado para esses períodos, porque o “investimento” pode gerar um pouquinho de prejuízo no começo.

casa_invest1

Comprar um imóvel pensando em revendê-lo também pode ser uma ótima forma de obter lucro. Comprar mais barato, fazer algumas melhorias no imóvel ou mesmo esperar o tempo necessário para ele se valorizar e finalmente vendê-lo mais caro. É uma boa, mas não deixa de ser um investimento arriscado. O imóvel pode simplesmente não se valorizar – ou não tanto quanto você esperava. Ao mesmo tempo em que uma estação de metrô pode fazer o preço dele quadruplicar, uma cratera acidental ocorrida durante as obras do metrô pode fazer as paredes trincarem, abalar a estrutura do imóvel ou deixar o prédio em risco. Uma escola de samba pode se instalar no bairro, ou as chuvas desse ano serem mais fortes, inundarem a rua e sua casa aparecer na televisão por causa da enchente. Resultado de tudo isso? Preço lá no chão.

Além disso, pode ser difícil encontrar compradores dispostos a pagar o que você está pedindo. Sem falar que encontrar as “pechinchas” na hora de comprar – aqueles imóveis que, de alguma maneira, estão com preço abaixo do que deveriam – pode ser trabalho de garimpeiro. Os novatos podem ter dificuldade em encontrar as melhores ofertas, com maior potencial de valorização, antes dos “tubarões” profissionais do mercado imobiliário.

Mas não desanime. Se você acredita que essa é a forma de investimento com a qual você mais se identifica, você pode se especializar, fazer uns cursos na área de imóveis e acabar ficando especialista no assunto. Já se você tem pouco tempo para dedicar a isso, talvez seja interessante procurar ajuda profissional, caso o interesse seja mesmo em investir em imóveis, lembrando que o profissional cobrará a participação dele nos negócios, o que vai reduzir um pouco o seu lucro. Porém, aos poucos, você poderá caminhar com as próprias pernas e fazer seu lucro sozinha.  :)

Será que aquele tio que mandou você pegar seu dinheiro e comprar mais uma casa comentou com você todas essas coisas chatinhas que envolvem o investimento em imóveis? A sabedoria popular também adora distribuir palpites financeiros, mas nenhum deles deve ser ouvido como verdade absoluta. Pelo menos não sem antes analisar quais os reais riscos de determinado investimento, bem como a sua realidade, sua disponibilidade de se dedicar a “cuidar” desse investimento e os objetivos que você quer alcançar na SUA vida financeira.

Postado por Evelin às 10:32 | 11/01/2010 | Nenhum comentário

 Quero uma casa no campo… 

Mais um post da série imaginária “o que seu tio lhe ensina sobre investimentos pode não estar tão certo assim”. Vamos lá: você já tem sua casa. Seu sonho é, agora, comprar um apê na praia ou uma casinha no campo. Certo? Mas… você já se perguntou o porquê?

Se você tem filhos pequenos, consegue carregá-los para cima e para baixo. Logo, ter um lugar para fazer uma viagem rápida nos finais de semana é maravilhoso. Família sempre toda junta.
Mas chega uma hora em que a adolescência começa e cada filho vai para um canto, especialmente nos finais de semana. Pode não acontecer com a sua família, mas é algo bastante comum. Os filhos já não curtem tanto a natureza e as aventuras que a casa no campo proporcionava quando eram crianças. As provas na faculdade, as saídas com os amigos e namorada (o) não o deixam com muito tempo de descer para o litoral com tanta frequência. A casa/apartamento extra fica para o casal. E os gastos, que sempre são muitos, também.

casa-no-campo

Para que esse imóvel não seja um estorvo na vida financeira da sua família, você precisa observar quantas vezes ao ano você o APROVEITA. Chega o verão e você praticamente não consegue ir? Bom, ou você decide começar a alugá-lo para temporadas – um final de semana com o apê alugado na praia pode cobrir satisfatoriamente alguns meses de despesas. Ou, se nem isso tem adiantado para manter o balanço da “segunda casa” no azul, talvez a venda seja a solução mais atrativa. Se você aplicar aquele dinheiro, pode criar sua própria “Bolsa Turismo”, ou “Bolsa Viagens”. Vai viajar sempre que quiser, sem se preocupar com a manutenção de nenhum imóvel e suas despesas mensais que pesam no seu bolso. Aliás, se você juntar apenas esse dinheiro que vai sobrar todos os meses, só com isso já vai dar para fazer uma viagem legal no reveillon e se hospedar num hotelzinho bacana.

Claro que se desfazer de um bem desses envolve UM MILHÃO de coisas. O seu apego pela casa no campo ou na praia, o status que esse segundo imóvel oferece (sim, status, algo muito presente e que leva muita gente à falência). Além disso, a família não poderá mais desfrutar dessa opção de lazer sempre que quiser – diferentemente de quando ela estava ali prontinha, a qualquer hora, mesmo que ninguém mais passasse os finais de semana lá.

Se você não tem ainda essa segunda casa, pense direitinho antes de se comprometer. Já vi bastante gente enrascada com um segundo imóvel. Longe de ser um desestímulo a realizar esse sonho, este post quer conscientizá-la de que é uma decisão financeira das mais importantes de toda a sua vida. O lazer tem um custo e, às vezes, escolhas erradas nos levam a aceitar custos muito mais altos do que precisaríamos pagar.

Postado por Evelin às 17:30 | 08/01/2010 | Nenhum comentário