Como investir com a Selic em alta 

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No mês de julho o Copom resolveu subir mais um pouquinho a Selic, 0,50%, chegando à taxa de 10,75% ao mês. Ok, vamos parar por aqui e explicar melhor. Copom é o Comitê de Política Monetária do Banco Central. Na reunião que ocorre a cada 45 dias, as pessoas que integram o comitê decidem qual será a próxima taxa básica de juros da economia brasileira.

A Selic é a taxa na qual se baseiam os contratos de empréstimo interbancários e a rentabilidade dos títulos públicos. É por isso que todo o restante da economia acaba refletindo tal taxa, pois o rendimento das aplicações de renda fixa, por exemplo, são um percentual do CDI, que é a taxa de empréstimo entre  os bancos que, por sua vez, é indexada à Selic.

É por isso que, quando a Selic sobe, é batante vantajoso para o investidor que tem dinheiro na renda fixa, pois sua rentabilidade será maior. Existe, inclusive, muita migração de quem está mais posicionado na renda variável ir para a fixa, porque ela se torna mais vantajosa.

Geralmente, o aumento na Selic, no Brasil, é uma medida para conter a inflação. Entre outras causas, o fato de remunerar melhor o dinheiro aplicado é um incentivo a mais para investir, reduzindo assim o dinheiro que as pessoas iriam usar para consumo. Além disso, ao consumir (a prazo, por exemplo), os juros ao consumidor também ficam mais altos - mais um motivo pelo qual a Selic alta freia o consumo e, consequentemente, o processo inflacionário.

Quanto aos seus investimentos, não adianta sair correndo de uma aplicação para outra após cada alteração na Selic. Afinal, com a mínima perspectiva de que os juros podem subir, a própria lei da oferta e da procura já fazem os títulos de renda fixa, por exemplo, ficarem mais caros - ficam “precificados” - pois aumenta a busca dos investidores por aquele título e, consequentemente, o valor de face - daquele título já está maior.

Além disso, ao fazer uma mudança drástica em sua carteira em busca de uma remuneração maior, a chance de você perder dinheiro aumenta muito. Pois é. Sair de sua posição, “liquidando seus títulos em uma aplicação para comprar os de outra podem fazer você perder, ou na venda, ou na compra ou mesmo na tributação (impostos) que incide sobre as movimentações.

Para se prevenir dessas oscilações e de perder dinheiro, a melhor coisa é já pensar na diversificação de seus investimentos desde sempre. Mesmo que você decida ser uma investidora mais arrojada, não custa fazer um bom pé-de-meia na renda fixa, em uma aplicação que lhe proteja da inflação e que seja um pouco mais conservadora. O peso do conservadorismo em sua carteira é você quem deve determinar, claro, sempre de olho nos movimentos da economia, mas nunca dependendo exclusivamente das oscilações do mercado.

Postado por Evelin às 16:34 | 02/08/2010 | Nenhum comentário

 A bolha do consumo 

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A crise financeira internacional, deflagrada nos EUA em setembro de 2008 (e que continua refletindo no mundo inteiro, talvez um pouco menos no Brasil) começou com os famosos sub-prime. Eles são os investidores imobiliários que ofereciam menos segurança de pagamento e, após uma subida nos preços, demonstraram incapacidade de arcar com seus compromissos. Daí, todo mundo quebrou.

Essa maneira extremamente simplificada para explicar a crise financeira serve para nos alertar para uma coisinha bem importante: não ser, você também, um “sub-prime”. Calma, vamos entender!

O Brasil vive hoje uma explosão no consumo. Ampliação no crédito, com mais facilidade, mais prazo, menos consultas, menos exigências. Vamos concordar que foi o consumo, estimulado por algumas medidas governamentais de corte nos impostos (como o IPI reduzido) que fez o Brasil sentir menos o impacto da crise e sair mais rápido da rescessão. Porém, a dúvida é: as pessoas estão consumindo com responsabilidade?

Comprar carros foi ótimo para estimular a indústria e a geração de emprego. Mas será que é todo mundo deve entrar em um financiamento de automóvel em 60 prestações? E se, nesse período, acontecerem outros imprevistos como o de 2008? Muita gente pode complicar suas finanças e, em consequência, toda a economia.

Não é para você se preocupar. Apenas fique alerta para não entrar você também na bolha do consumo irresponsável. Analise suas finanças, prepare-se na hora de comprar algo de maior valor. Não se preocupe apenas se as parcelas cabem no seu bolso, calcule o valor total daquela compra, após a incidência dos juros. Veja por quanto tempo você estará preso a esse compromisso financeiro e analise se adiar um pouco esse consumo, investindo esse dinheiro, não lhe permitiriam alcançar tal objetivo em menos tempo e fazendo o dinheiro trabalhar por você.

Os números da inadimplência no Brasil estão crescendo. Vamos combinar uma coisa: nós estaremos fora das estatísticas!

Postado por Evelin às 09:18 | 26/07/2010 | Nenhum comentário

 A bolsa pode ser sua poupança 

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Se você tem dinheiro depositado na poupança, pode ficar feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz porque já faz parte de uma minoria dos brasileiros que guardam uma reserva em dinheiro. E triste porque seu dinheiro poderia estar rendendo mais, se estivesse aplicado em outros lugares.

Embora seja um dos produtos financeiros de maior segurança que existem no País - tanto pela lei que garante a rentabilidade de 6% ao ano mais TR quanto pela garantia de que, se o banco quebrar, até R$ 60 mil serão devolvidos a você - a poupança rende bem pouquinho. Geralmente, no final do ano, a rentabilidade mal ultrapassa a inflação. Logo, você acabou perdendo dinheiro, sem perceber.

Exceto em casos de crise financeira internacional como a vista em 2008 e outros problemas econômicos aos quais todos estão sujeitos, investir em renda variável, na maioria dos casos, permite uma rentabilidade maior. Porém, os velhos mitos ao redor da bolsa de valores desestimulam até as mais interessadas.

Os maiores mitos são os que colocaram na sua cabeça de que investir em ações é coisa para quem tem muito dinheiro. Ou muito tempo para ficar o dia inteiro acompanhando o sobe e desce das cotações.

Balela! Tá mais que provado que dá para começar a investir na bolsa com pouco dinheiro. Aliás, é até recomendável começar com pouco. Assim você vai se acostumando com as oscilações e descobrindo, aos poucos, qual é a estratégia mais adequada ao seu perfil.

Da mesma forma, dá para encarar a bolsa como poupança. Comprando um pouquinho de ações por mês e pensando nelas para o longo prazo. Assim, não é necessário ficar no homebroker prestando atenção em cada alta ou cada baixa. Claro, um acompanhamento mínimo será necessário, mas nada que atrapalhe seu dia a dia e seu trabalho.

Bom, mitos destruídos, que tal começar a pesquisar, perder o medo e investir de verdade?

Postado por Evelin às 14:57 | 21/07/2010 | Nenhum comentário

 Os cartões mudaram. E eu? 

Notícias sobre cartão de crédito interessam bastante à mulherada, afinal, ele é um dos nossos melhores amigos, né? (Se pra você ele é inimigo, melhor repensar as coisas). Pois bem, agora em julho entrou em vigor algo que revolucionou a indústria de cartões de crédito. Mas, e para a nossa faturazinha de todo mês, será que mudou algo?

Primeiro vamos entender o que mudou. O setor é dividido entre bandeira, credenciador e lojista. A bandeira é a marca do cartão, quem negocia com a instituição financeira. O credenciador é quem realiza a transação, quem tem e aluga a famosa maquininha para o lojista. Antes da mudança, um credenciador só podia oferecer ao lojista transações de uma única bandeira. A Cielo, por exemplo, só oferecia operações de cartões Visa e a Redecard, de cartões Mastercard.

Agora, a Cielo pode oferecer Mastercard, a Redecard pode oferecer Visa, e outros credenciadores podem entrar no mercado para oferecer cartões de quaisquer bandeiras que existam (e existem mais um monte!).

Na prática, o lojista pode, se quiser, alugar uma única maquininha, pois ela vai operar todos os cartões. Isso reduz o custo dele.

Tem outra coisinha que pode beneficiar o comerciante: se todo credenciador pode oferecer transações de todos os cartões e outras empresas podem surgir como credenciadoras, haverá mais concorrência no setor. Assim, elas podem iniciar uma saudável disputa para quem oferece melhores serviços cobrando tarifas mais baixas. Essas tarifas são cobradas do lojista a cada pagamento realizado com cartão. A soma disso fica bem gorda! A consequência dessa concorrência é outra redução nos custos operacionais do lojista.

A grande questão é se essa redução de custos dos lojista virá a diminuir os preços dos produtos no longo prazo. É claro que os preços não correspondem apenas aos custos do comerciante, mas é um de seus componentes. No mundo ideal, uma redução na matéria-prima de um produto, por exemplo, deveria diminuir os preços lá na ponta, para o consumidor final. Da mesma forma, se a conta de luz da loja ficasse mais barata, poderia-se ver uma queda nos preços dos produtos. Isso aconteceria com a mudança.

Mas não estamos, infelizmente, nesse mundo cor-de-rosa :(   Vale a pena ficar de olho nas notícias e no comportamento do setor daqui para a frente. E os cuidados com o cartão de crédito devem permanecer, sempre!

Postado por Evelin às 17:35 | 20/07/2010 | Nenhum comentário