jul
25
2011

Amamentar é sublime!

 

Dia desses, observei uma recatada mãe trajando um florido e singelo vestido num café de um movimentado shopping center. Ela não fazia muito esforço para carregar seu rebento, um belo bebê de olhos azuis e lábios rosados em busca do alimento necessário para seu sustento.

A dita cuja, cuja linda era, não se fez de rogada. Sentou-se sem nenhuma cerimônia colocando seus seios à disposição do faminto neném.

Durante a amamentação obviamente que deixei de observá-la, assim como todos que lá estavam, pois a beleza desse ato não deve ser compartilhada com ninguém, mas respeitada por todas as pessoas que brindam a vida.

O leite materno em que pese os esforços da suíça Nestlé, da americana Roche, da dinamarquesa Strubb, da Tia Diná fazedora do melhor acarajé da Bahia… é insubstituível!

Voltando ao jantar do pequeno e após a recomposição da mãe, pude comprovar a importância da amamentação diretamente na “fonte”. Um neném de pele rosada, sem aquelas manchas originárias dos esforços da Nestlé e sem nenhum vestígio do apimentado acarajé.

Outra constatação foi perceber a reação das pessoas diante dessa disposição da mãe, na entrega do alimento diretamente ao bebê sem nenhum pudor, aliás falso pudor de expor suas repletas mamas num ato sublime.

Recentemente, uma dessas mães foi advertida e impossibilitada de amamentar seu filho num restaurante de Brasília. É certo que em Brasília tudo é possível…

A estupidez do gerente da casa, que representa o dono da casa, que não pode ser chamada de casa, gerou protesto. Nascia ali o movimento “Tetas livres aos bebês sadios”.

Haverá um tempo em que esse tempo será contado depois de algum tempo quando os nossos filhos e netos dirão: no remoto ano de 2011, as mulheres eram discriminadas por amamentar em público.

Após observar tudo, continuei minha busca por um par de sapatos de verniz preto no mesmo shopping center. Confesso que não é fácil manter a linha contrariando a moda imposta por alguns estilistas que pelo jeito aboliram o velho e reluzente sapato de verniz. Nessa busca insana… não é que me deparei novamente com a mesma mãe junto do mesmo bebê!

Entretanto numa situação bem distante da beleza contada até agora.

Ela estava trocando sua fralda. Sobre a cadeira do mesmo café, a mesma cadeira que serviria a uma outra mãe que amamentaria um outro filho.

Que cena dantesca! Cocô pra todo lado… Pensei comigo: cadê o gerente da casa, será que essa mãe desnaturada não percebeu que há um lugar próprio e propício para isso?

Sinceramente, fico imaginando nossos filhos e netos comentando num futuro distante: no distante ano de 2011, as mães limpavam o cocô de seus filhos em público!

Santa incoerência, Batman.

Postado por Juca

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