14
2011
Em busca do regresso

Se você quiser conhecer alguém e toda a sua vicissitude, viaje com ela! Nunca se case sem antes viajar com a pessoa amada, pois do contrário sua lua de mel pode se transformar num filme de arrependimento. Quanto mais cantos do mundo conhecemos, mais tolerantes nos tornamos. Respeitar as culturas e imaginar-se vivendo no país remoto que acabara de pisar pode ser tão perigoso quanto desconhecer o próprio Brasil que tanto denegrimos. Para se valorizar os 8 mil quilômetros de praias da costa brasileira, só mesmo conhecendo alguns metros de praias do Principado de Mônaco e pisar no gelado Oceano Pacífico da Costa Oeste Americana. Valorizar nossas belezas naturais, só mesmo depois de percorrer a imensidão desértica da pequena Espanha. A hospitalidade brasileira é incomparável com a sisudez europeia e a frieza americana.
Depois de certa frequência, as cidades tornam-se parecidas e as alamedas peculiares, diferenciando-se apenas no clima e na cútis de seus habitantes. Se os nossos aeroportos estão pilhados de passageiros espremidos por acaso de alguns saqueadores, os que ficam do outro lado do mundo não se diferem a não ser pela ausência dos saqueadores. Se o regresso é a melhor fase do viajante apressado, talvez seja por saber que o Brasil é um raro lugar onde nossas crenças prevalecem e a alegria do nosso povo nos entorpece.
Que bela Paris, que organizada Alemanha, que úmida Veneza, que bandida Istambul e que pena que não possamos caminhar nesse Brasil de solo totalmente praticável sem a sombra da violência e o medo por nossas crias.
As mulheres brasileiras são incomparáveis na beleza e sensualidade, enquanto nossa fascinante culinária obriga o reconhecimento do mundo. O Brasil é um raro exemplo de vozes discordantes, mas único na beleza, na alegria de seu povo e na solidariedade que tanto nos une. Isso tudo porque somos competentes, apesar… dos miseráveis competentes.
Postado por: Juca Fernandes


