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2011
Recém-nascido pode voar?
Depende do pai… Melhor: da mãe!
O recém-nascido, diferentemente do que pensa a maioria, é bastante resistente se “abastecido” com leite materno. Então, a primeira medida para transportar seu recém-rebento em um voo num avião sem pressurização é levar a mãe junto e, consequentemente, suas tetas abarrotadas de leite. Vale lembrar que esse novo habitante do planeta só pode ser hidratado via “tetas” e sua reserva de energia não existe após o estimado!
No caso de um avião pequeno, sem ar-condicionado, o ideal é embarcar o bebê depois de concluídas todas as inspeções e a autorização de acionamento.
É fundamental proteger os ouvidinhos do carinha devido à fragilidade de seus tímpanos. Evite o acionamento do motor com as portas abertas, diminua também o volume do rádio e… Esqueci! Antes de qualquer coisa, faça uma faxina dentro do avião para eliminar fungos e poeira e preservar seus olhos lacrimejantes.
Coloque-o confortavelmente sobre a cadeirinha automotiva no banco traseiro, sempre preso pelo cinto de segurança e de preferência sentado para evitar o congestionamento nasal. Trave essa mesma cadeira no encosto do banco dianteiro.
Após o acionamento, inicie sem pressa, mas com certa pressa devido ao calor interno, o taxiamento até a cabeceira da pista.
A decolagem com um baby a bordo deve ser suave e preferencialmente numa pista longa como é o caso do Campo de Marte. Se o vento se mostrar calmo, prefira a cabeceira com menor obstáculo, pois a subida não deverá exceder 200 pés por minuto. A chupeta nesse caso é importante, pois exercita o diafragma do tímpano (se é que tímpano tem diafragma). Lembre-se que na mesma proporção de fragilidade a carga de esforços físicos num ser tão minúsculo é menor, por isso não se assuste.
O nosso passageiro mirim foi o recém-nascido João Pedro, futuro cosmonauta e filho deste que vos escreve.
O seu pediatra, Gabriel Striker, sugere proteger seus ouvidinhos com fone duplo, assim evita a absorção do barulho pela musculatura e cartilagem do sistema auditivo.
Nariz escorrendo nem pensar, a não ser na inevitável viagem de regresso após uma “baforada” de Rinosoro.
O João Pedro debutou nos ares aos três meses de vida, mas poderia fazê-lo com apenas dois meses tomando-se os devidos cuidados relatados. O pouso do pequeno avião com o ilustre passageiro ocorreu na calmaria de uma tarde de primavera. A curva base foi alongada, e a razão de descida na reta final não superou 200 pés.
Ele praticamente não resmungou, a não ser no momento em que soou o alarme do trem de pouso, demonstrando que será um aviador mais cuidadoso que o próprio pai.
O recém-nascido pode voar!
Por: Juca Fernandes



