jan
6
2012

A mais valia do invisível

Sou sempre o primeiro a jogar pedra na supervalorização da emoção, a grande religião capitalista de posicionar a emoção acima de tudo, inclusive da ética; porém invejável é a vontade de sentir-se emocionado, de ser levado acima da terra por aquela paixão pelo trabalho, pelos amigos e família, pela natureza ou pela pessoa ao lado. Se fôssemos parar para analisar o tema detalhadamente, esse espaço seria incrivelmente pequeno; no entanto, em um voo genérico e rápido, podemos posicionar a emoção na fonte de um hábito, de um querer e de uma crença, ou seja, a emoção, esse vínculo invisível de sentir, é a base de todo e qualquer relacionar-se com o mundo. Inclusive, todos sabemos que quem pode não compra para sobreviver, mas compra para sentir uma emoção perdida na sensação de ser e reconquistada na sensação de ter. Vivemos a reviver emoções, buscamos emoção em tudo: na música, na novela, em fotos, memórias e tantos outros signos do vínculo emocional. Queremos nos emocionar o tempo inteiro porque, simplesmente, é muito bom.

Emocionar-se é colar em algo que, às vezes, nunca mais vai, nem com a loucura da idade ou do acaso – precisamos ser zelosos com o emocionar e, por exemplo, entender que é impossível comercializá-lo. A supervalorização capitalista da emoção depende de formatos pré-fixados que desenham regras para o amar, para o apaixonar, para o pesar e para tantas outras emoções – claro que as regras, sempre, serão inatingíveis. No entanto, quando apontamos para esse vender-emoção-capitalista, essa mais valia do invisível, percebemos também que só podemos quebrar e relacionar-se com a questão quando mais uma vez supervalorizamos o mesmo objeto, não a emoção com formatos e preços, mas a emoção de fazer resistir, de fazer acordar com a vontade de respirar o dia.

Enfim, em um ano que começa, vale respirar 3 vezes e olhar com atenção para nosso perceber e colar no mundo, nossas emoções constituem o que somos, as emoções e as memórias são de alguma maneira aquele presente significado em passado e futuro. A emoção é a nossa atemporalidade de começar e recomeçar, de viver e reviver a mesmo coisa em infinitas possibilidades de ser.

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  • Muito bom este artigo. Vou voltar a visitar este website!

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