30
2011
Um bom ano
Feliz 2012! Apesar do ano novo, o artigo ganhou um título já utilizado por Ridley Scott em um ótimo filme de 2006; ou seja, por enquanto, um bom ano tem mais de uma década e nenhuma novidade ou promessa ainda foi lançada aos pulos no mar ou no abraço que a virada, a marcação do novo em relação ao velho, nos faz apertar. No final o filme, do mesmo diretor de Gladiador, narra um bom ano como aquilo que geralmente repousa simples e sem pretensão no nosso colo até florescer como o vinho que de tão bom nem acreditamos ser produzido em nosso vinhedo. Aliás, será a ignorância a mãe da autômia de tudo que não sabemos que somos?
A vida parece relacionar-se nesses giros espiralados de revela-esconde enquanto nosso bom parece repousar na medida da felicidade ser o que amansa o coração. Na Grécia de Hesíodo eram as musas que decidiam o que homem poderia ver ou não (revelação) e na mesma Grécia já havia sido anunciado que as musas também revelam o que na verdade não é. Algo como o jogo ser ou não ser de Hamlet induzido por imagens crescidas da nossa vontade de andar para frente.
A cultura iorubá adverte para termos cuidado com o que é desejado. E, em Um bom ano, Ridley Scott apresenta um personagem míope por seus desejos, pela fome de fazer mais e mais. Desejo que sempre ocultou o que poderia florescer sem a agressidade do conquistar. Essa é a nossa responsabilidade sobre os desejo e pedidos, ter cosnciência que as circunstâncias vão mudar e que realmente nosso único porto seguro é o respirar; o bom não como um índice de conquistas mas um movimento movido por aquele motor chamado ser.
Finalmente, que 2012 seja um bom ano a todos, um ano para ser o que somos, um ano para que todo e qualquer indivíduo exerça sua vocação, um ano para celebrar diferenças e exigir direitos de ser em conflitos por diálogos e não por guerra. Um ano tão bom quanto celebrar a grande jóia de ser humano, a humanidade.



