jan
24
2012

Tecnologia dos velhos e novos tempos

Parabéns, São Paulo! Essa semana a cidade completa 458 anos e, em meio a tantas transformações e crescimento, é interessante ver iniciativas que retomam ações e comportamentos de quando a cidade tinha apenas 420 anos. Nesse tempo era comum o conceito de “retornável” ou “reutilizável”, por exemplo. As leitoras com tanta experiência de vida quanto eu devem se lembrar bem disso, e talvez o melhor exemplo sejam as garrafas de cerveja e refrigerante que eram devolvidas no ponto de venda, prática que está sendo vagarosamente retomada e estimulada por alguns fabricantes e varejistas.

São inúmeros os presentes e iniciativas “retrô” que São Paulo vai ganhar de aniversário, mas quero destacar no post de hoje a iniciativa http://vamostiraroplanetadosufoco.org.br/ encabeçada pela APAS (Associação Paulista de Supermercados) que incentiva o uso de sacolas retornáveis em nossas compras a fim de reduzir consideravelmente a fabricação e consumo de sacos plásticos. Não é uma lei…

Um saco plástico é, desde a década de 1970, a solução adotada para transportar pequenas quantidades de mercadorias. Não preciso dizer que rapidamente se tornou muito popular, especialmente devido à distribuição gratuita nos supermercados e outras lojas de varejo especializado. Ganhou também outras utilidades, como, por exemplo, ser a forma mais comum de acondicionamento dos resíduos domésticos e, através da impressão de símbolos e marcas, é reconhecidamente uma forma barata de publicidade para os comércios que as distribuem. Feito, em praticamente sua totalidade, a partir de polímeros de plástico não biodegradável (e aqui reside o problema…). Anualmente, circulam em todo o mundo entre 500 a 1000 bilhões destes objetos.

Todas as boas notícias acabam por aqui. Do outro lado dessa moeda, como eu já adiantei no parágrafo anterior, a solução “sacola plástica” é muito prejudicial para o meio ambiente. Por isso essa busca pela diminuição de fabricação e consumo através da utilização de sacolas retornáveis, caixas de papelão ou sacos de papel para ajudar a carregar as compras, além de iniciativas para uso de sacos feitos de papel jornal para colocar o lixo de cestos da cozinha e do banheiro. Para saber mais sobre como fazer isso acesse e confira as dicas: http://www.youtube.com/watch?v=hXPDYlPoeUY

Onde residem os principais problemas? Em três aspectos básicos: o elevado número de sacos produzidos por ano (cerca de 200 por pessoa/ano), a natureza não biodegradável do plástico (que já falamos e não cansaremos de repetir…) e o processo de produção do polietileno que se faz a partir de combustíveis fósseis (petróleo) e que acarreta na emissão de inúmeros gases poluentes.

Estima-se que cerca de 90% dos sacos plásticos acabam em lixeiras, ou como resíduos ou como porta-coisas, sendo usados principalmente para acomodar outros tipos de lixo. Ainda assim, dada a sua extrema leveza, se não forem bem acondicionados os sacos têm a tendência de voar e espalhar-se pelo meio ambiente e esta situação provoca outros inúmeros tipos de poluição e transtornos (estamos no verão, vivendo o tormento das enchentes que muitas vezes são causadas pelo entupimento de bueiros e córregos que ficam entulhados de plástico). Quase todo plástico não acondicionado adequadamente em lixeiras acaba, mais cedo ou mais tarde, por chegar aos córregos, rios e finalmente oceanos. Os ambientalistas chamam a atenção para este problema e não faltam exemplos na mídia de baleias, golfinhos, tartarugas-marinhas e aves marinhas que morreram asfixiadas por sacos de plástico.

Em países como a Irlanda, que foi um dos primeiros a tomar medidas sobre a produção descontrolada de sacolas de plástico, houve a introdução do PlasTax em 2002, um imposto que cobra 0,15 € ao consumidor por cada saco distribuído. A partir dessa iniciativa tem-se buscado mais ideias para restringir a circulação e distribuição desse tipo de material ao redor do mundo. O resultado da iniciativa irlandesa foi a captação de cerca de 23 milhões de euros para serem investidos em projetos ambientais e uma redução no consumo de 90%.

Na Alemanha, os sacos plásticos são pagos pelo consumidor em todos os supermercados e é habitual o uso de sacos de pano ou plástico reutilizáveis ou caixas de papelão.

Na Itália, que consumia cerca de 25% dos sacos plásticos da Europa, a distribuição está proibida desde 1 de janeiro de 2011. O governo italiano aposta nos sacos biodegradáveis ou de papel.

A tecnologia disponível atualmente permitiu o desenvolvimento de materiais plásticos biodegradáveis que prometem, a um custo um pouco maior, resolver os problemas ambientais causados pelos sacos comuns.

O plástico comum, como citei antes, é um material sintético feito a partir de derivados do petróleo. É uma novidade criada pelo homem (artificialmente), e por isso nunca fez parte do cardápio de nenhum micro-organismo. Por não ser o prato preferido desses minúsculos seres, pode levar de 40 a 200 anos para ser decomposto.

Existe outro tipo de plástico mais moderno, chamado de oxi-biodegradável. Trata-se de um material plástico, também derivado do petróleo, mas que contém um aditivo (substância química) que promove sua degradação em aproximadamente 18 meses. O aditivo inserido neste tipo de plástico permite a sua degradação em pedaços menores, que é feita por micro-organismos, em condições ideais. Esse tipo de material gera resíduos no solo, como resultante do processo de degradação, e acaba não constituindo uma solução ideal para o problema ainda.

Já a origem do plástico biodegradável é natural e pode ser feito através de substâncias vegetais (amido, por exemplo) ou bactérias especiais (alimentadas com cana de açúcar). O plástico biodegradável custa (por enquanto) de três a cinco vezes mais que o de petróleo – por isso, seu uso ainda é limitado a aplicações médicas e experimentais.

Ainda como uma grande alternativa, viável ecológica e financeiramente, contra o consumo excessivo de sacolas de plástico, é a utilização de sacolas retornáveis ou sacolas ecológicas, confeccionadas em sua maioria em algodão cru e outros tecidos ou em plástico de alta durabilidade. E você, pronta para as compras? Deixe seu comentário e nos conte como está sendo a experiência de não usar mais sacolas plásticas ou escreva uma dica para outras leitoras sobre como viver sem a “sacolinha vilã”…

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