芸者 - Gueixa não é bem o que você pensa 

O senso comum ocidental costuma associar a palavra gueixa àquela mulher oriental que é demasiadamente servil ao homem, uma Amélia, digamos. Alguns também acham que além de Amélia, “gueixa” é o nome que se dá à prostituta japonesa. Nada disso, burrice, equívoco atrás de equívoco! A própria palavra original em japonês consiste em dois ideogramas (kanji) 芸 (gei), que significa “arte” e 者 (sha), que significa “pessoa” ou “praticante”. Então gueixas são artistas dedicadas, são o patrimônio cultural vivo do Japão.

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Mas há motivos para essa confusão toda. Durante a ocupação do Japão na 2ª Guerra, muitas prostitutas japonesas vendiam-se como se fossem gueixas verdadeiras a soldados americanos, pobres incautos que não sabiam distinguir o joio do trigo.

Para ser gueixa é necessário um árduo treinamento desde a infância. Gueixas se apresentam em eventos e suas aparições precisam ser agendadas com no mínimo 24 horas de antecedência e o tempo que ela dispender na festa é medido pela queima de um bastão de incenso. É comum famílias contratarem gueixas para animar jantares e celebrações mostrando números de dança tradicionais.

Eu não tinha noção que ser gueixa era uma arte e que as mulheres dedicadas a essa ‘carreira’ são artistas que cantam, praticam a dança japonesa, realizam a cerimônia de chá, aprendem literatura e poesia, sem contar que há rituais até para abrir e fechar uma porta feito gueixa. Existe também um termo em japonês que é o mizuage, que significava a venda da virgindade da oiran = cortesã japonesa. Para as gueixas, a palavra mizuage representa o debut de uma menina de 15 anos.

E houve mais confusão ainda quando há quase 10 anos foi lançado o best seller “Memórias de uma Gueixa” de Arthur Golden, supostamente baseado em algumas das histórias da vida da ex-gueixa Mineko Iwasaki. O livro virou filme e mostrou e floreou demais a tradição, os trajes e o cotidiano de uma gueixa e segundo a própria Mineko, há equivocos que pioram essa confusão que se faz sobre as gueixas serem um tipo de prostitutas. Ele mistura costumes de oiran e de gueixa, como no caso do mizuage. Eu acabo de ler o “Minha Vida como Gueixa” autobiografia de Mineko Iwasaki, que foi indiscutivelmente uma das gueixas mais famosas do Japão até os anos 70. E ela categoricamente desmente que o mizuage seja um contato sexual pago porque as gueixas exploram justamente o flerte não concretizado. Esse é um dos encantos, se não for o maior deles em sendo uma gueixa.

A história da educação de Mineko é fascinante pois entrou na casa de gueixas com cinco anos já como uma atotori escolhida, ou seja a predestinada herdeira da tradição e do negócio. Mineko realmente amava o que fazia e tinha o dom da dança. Ela se apresentou para presidentes, artistas famosos mundialmente, reis e rainhas. Foi uma mulher independente, morou sozinha e chegava a ganhar U$20mil em uma noite de shows.

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O livro acabou sendo uma lição de educação para mim na cultura japonesa. Eu aprendi sobre a graciosa arte de ser gueixa e como é estressante e cansativa a prática das danças, os estudos das tradições, das cerimônias do chá e das apresentações diárias. Nesses vídeos, é possível ver o trabalho precioso (e que paciência precisa ter) da maquiagem, da colocação do quimono em uma gueixa e também como é o ambiente em que elas vivem: Passeio pelo bairro das gueixas em Kioto

Make up (mais usado pelas jovens maiko, que é o posto que está a uma etapa antes de virar gueixa)

Quimono

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